A gente algumas vezes se pega sentado olhando pro nada, alguém tenta falar conosco, mas o som entra bem fraquinho no nosso ouvido. Estamos em total anestesia, respiramos e o ar parece que entra num túnel, de tão oco que estamos por dentro. Em seguida a respiração fica descompassada, o coração acelera e desacelera, as mãos suam.
A mente humana é realmente uma incógnita indecifrável. Como explicar sentir algo fisicamente, sendo que os sintomas são cerebrais? Beleza, a ciência explica, a medicina explica, até os religiosos tentam explicar (fico com a ciência), mas e nós leigos? Imagino quando a ciência não existia, e em outras civilizações remotas algum indivíduo sentia esse vazio, sem explicação, do nada.
Eu muitas vezes recebo um golpe certeiro e sou engolido por esse vazio do nada. Eu acredito que você alguma vez na sua vida já sentiu aquela tristeza repentina seguida de uma vontade de chorar, mesmo sem ter nenhum motivo relevante ou aparente. A gente se pergunta: Pô! Estou bem, minha saúde está ok, qual o motivo desse desconforto, por que sinto que falta algo mesmo sabendo que não falta nada no momento? Esse é a tal da sensação de vazio, vazio torturante, que não escolhe hora nem local para aparecer. Pode ser no meio do trabalho ou da aula, numa conversa agradável com um amigo, namorado ou namorada, pais, tanto faz, ele vem e te engole como um buraco negro.
Eu chamei de vazio existencial, quando, mesmo feliz e satisfeito na minha vida eu fui tomado por esse sentimento incomodo. Hoje segundo estudiosos o humano moderno pode ser chamado de 'sujeito da angústia', tamanhas as suas.
Eu digo que este buraco se forma assim como a morte de uma estrela, onde estava o brilho vira o vazio, e quando digo que não escolhe hora nem lugar, não estou blefando, pois no momento que escrevo estas palavras ele começa a me tomar, e as palavras ficam mais pesadas.
Os olhos estão pesados também, as mãos gelaram, as lágrimas caem lentamente. E por enquanto este texto ficará por aqui.
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