quarta-feira, 3 de agosto de 2016

QUEM É VOCÊ?



Essa pergunta eu faço algumas vezes para mim mesmo, e quase nunca sei a real resposta. As pessoas acham que sabem quem elas são, mas eu tenho certeza que não sabem, tenho certeza que existe dentro de cada uma delas outra pessoa querendo sair, querendo se libertar, ou de um corpo viciado ou de um corpo imaculado. Conheço pessoas que socialmente são extremamente diferentes de quando estão no seu mundo particular entre os mais próximos. Ninguém sabe realmente o motivo de tanta gente se digladiar contra si mesmo apenas por viver numa sociedade de grande maioria hipócrita e falsa. É mais fácil de viver quando se sabe o que quer de si. Eu por um bom tempo, como já falai anteriormente, tentei me enquadrar num mundo que não me cabia, mas como era um humano em construção(adolescente) e buscava identidade, a busca pela identificação é aleatória. Mas quando saí dessa ideia de querer pertencer à sociedade CTRL-C/CTRL-V um peso enorme saiu das minhas costas. 
No entanto se não houver pessoas com que possa compartilhar e dividir esse seu universo, fica mais difícil, pois entra a solidão por não ser aceito como é e por ter que viver no dia-dia uma vida que não gostaria. Bem, claro que é preciso seguir convenções de convívio social se você tem um emprego que tem uniforme ou que exija uma formalidade na vestimenta, você não vai usar sobretudo preto e sair feito Morpheu do filme Matrix pra um escritório de advocacia, ou loja de sapatos por exemplo. Mas se trabalha numa startup*, onde o que importa é o seu desempenho como programador ou desenvolvedor e não a roupa que veste, pode pular de alegria que o mundo pode ser bem mais feliz assim.
Por muitos anos não aceitei(ou neguei) minha própria natureza, (sou negro apesar da pele ser clara, costumo dizer que: eu sou nego, só não sou preto),cortando meu cabelo o mais curto possível, e muitas vezes sem deixar nenhum fio sequer. Hoje eu tenho um cabelo grande e tenho orgulho dele ser assim, cheio de cachos, eninhados, um verdadeiro mulato power. No entanto ainda ouço piadas e gracinhas das mais diversas de pessoas digamos, convencionais, mas que se fodam, minha namorada ama meus cabelos e ai de mim se ousar corta-los, e ai de quem se atrever a falar mal deles.
Me diz aí, quem é você? O que te move nesse mundo tão cheio de diferenças e preconceito? De que lado está?

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